20091229

Bloom Project Aldeinha

Reinterpretada com plantas e cores, uma antiga favela emerge na forma de obra de arte para rememorar a vida de seus moradores e ser um espaço de convívio e transformação social.
Esse cenário é o coração da maior megalópole da América Latina. São Paulo, bairro da Lapa. De um lado, a Marginal do Rio Tietê e a Ponte Júlio Mesquita Neto: é a Favela Aldeinha – com 17 mil metros quadrados.

Neste terreno foram plantadas algumas sementes de transformação. Um projeto socioambiental que pretende recuperar essa área por meio de uma obra de arte viva: um jardim de folhagens coloridas que vai reproduzir a planta original da favela – suas casas, ruas e becos – para fazer nascer ali um local de lazer e encontro entre as diferentes classes socioeconômicas de São Paulo.

O conceito da obra é do artista francês Jean Paul Ganem, conhecido pelo trabalho de landscape art realizado no interior da França, em aterros sanitários no Canadá e em pistas de aeroportos. "aqui a favela ainda está dentro da cidade e, no entanto, seus moradores são invisíveis. E eles querem ser vistos. Essa obra de arte vai rememorar as pessoas da Aldeinha e levar a classe média para dentro da favela, por meio de um único vetor: plantas”, diz Ganem.

O artista escolheu folhagens nativas que crescem o ano inteiro para compor toda a obra, e, na área que reproduz as moradias, vai usar 80% de grama colorida e 20% de pedras portuguesas retiradas durante uma reforma das calçadas da Avenida Paulista.

Educação ambiental, capacitação profissional, geração de renda e reinserção social constituem o cerne do projeto, encabeçado pela Brazimage Productions.

Para que mais gente possa participar dessa transformação foi criada a campanha Bloom Project Aldeinha, que permite que os cidadãos adquiram quotas no site www.bloomproject.org.br para acompanhar o processo de realização da obra e ao final quando esta estiver pronta receber uma foto fine art numerada e assinada pelo artista com uma tiragem de 17 mil cópias.

TRANSFORME VOCÊ TAMBÉM E PARTICIPE!

Site: http://www.bloomproject.org.br/
Flickr: BloomProject
Twitter: @bloomproject
Comunidade Orkut: Bloom Project Aldeinha

20091201

COMÉRCIO INTERNACIONAL DE ARMAS

    Journal intime d'un marchand de canons, que poderia ser traduzido como Diário íntimo de um vendedor de canhões é uma ficção de Philippe Vasset. O autor é jornalista. E já no Prefácio, adverte: "...por trás dessas histórias, se agita uma realidade globalizada, sobre a qual nada se sabe, ou quase nada. Apesar de ser ficção, todos os episódios aconteceram, os nomes e as datas são verídicos."
    Ao descrever uma série de ações para proteger segredos, o narrador cria um clima de romance de espionagem; exemplos: como catalogar nomes e endereços de clientes através de códigos, como destruir senhas de celulares comprados em países estrangeiros, como queimar papéis velhos sem chamar a atenção de vizinhos, papéis que contêm cadastros com dados de generais, almirantes, políticos, que servem de intermediários entre o vendedor e os responsáveis pelas compras (geralmente, também políticos e militares), papéis que contêm textos sobre as armas dos concorrentes... Isto porque os vendedores de armas (alguns, oficiais, outros, contrabantistas) correm riscos diante da espionagem industrial, da polícia dos serviços de inteligência de diversos países e dos jornalistas.
    Como clientes, é um vale-tudo inescrupuloso, sem bandeira, sem religião, e, principalmente, sem ideologia: a Etiópia comunista, a Sérvia em guerra, o mundo islâmico, Saddan Hussein, Hugo Chavez... E haja corrupção: Os militares que dão o parecer sobre as compras recebem suas quotas como "presentes". Às vezes, o próprio governo do país vendedor faz as doações, oficialmente. Ao longo do livro, percebe-se que o vendedor de armas não passa de um camelô. São os ministérios de defesa dos países vendedores que operam e resolvem tudo.

Vejamos dois casos citados com minúcia ao longo do livro:

O episódio do Conselheiro X.
    Saddan invadiu o Iran e pressionou a França sobre a entrega de Mirages F1, que já tinha adquirido. A França tentou adiar a entrega mas, sob pressão, liberou o primeiro lote em janeiro de 198l. O final só seria entregue 4 anos depois. Em agosto de 1982 Saddan exigiu a entrega do restante mas o ministro da defesa francês alugou ao Iraque 5 caças Étendard da marinha nacional, através de uma manobra comercial. Pilotos de caça franceses se tornariam conselheiros civis dos militares iraquianos, para instruir os aviadores.
    Um desses conselheiros é chamado de X, para proteção da identidade do militar francês. Os "alunos" iraquianos estavam com dificuldade de aprender o manejo de mísseis. O conselheiro vestiu uniforme iraquiano e fez disparos de demonstração para as autoridades militares. Tanto X quanto o narrador foram sequestrados e presos no Iraque. O narrador, enquanto vendedor, para garantir o sucesso das armas. E, durante três semanas, X, um cidadão francês, vestido de soldado iraquiano, fez parte da tropa de ataque, atirando mísseis contra o Iran.
Submarinos para Hugo Chavez.
    Por um embargo americano, a Venezuela não pode comprar armas dos Estados Unidos nem de países que usam peças americanas em suas armas. A Espanha estava negociando para equipar a marinha de guerra venezuelana mas em seus artefatos havia peças americanas. O caminho para a venda, assim, ficou livre para a França. Quando os Estados Unidos descobriram as negociações francesas, ameaçaram suspender a entrega de catapultas americanas para o segundo porta-aviões francês. Os vendedores franceses começam a presentear os militares venezuelanos, enquanto vão transcorrendo as negociações, observadas de perto pela instituição DCN (Direction des Construcions Navales - hoje DCNS). Num determinado momento, todo o processo é paralisado. Motivo: Se a França vendesse a Hugo Chavez todo o material pretendido, provocaria um desequilíbrio de forças na região. O responsável oficial francês apresenta os dados relativos a submarinos; Brasil: 4, do tipo Tupy; Peru: 6, U209; Argentina: 3, U209; Chile: 2 Scorpène e 2 U209 modificados. O poderio venezuelano, num possível confronto aberto com os Estados Unidos, poderia envolver a França por causa da fronteira venezuelana com território francês na Guiana Francesa.
As negociações foram, pois, suspensas.
    Poderíamos concluir desse fato que os países vendedores têm, dentro de suas regras de vale-tudo, uma outra regra maior, segundo a qual, são eles que determinam até onde um certo país pode se armar? Sabe-se que os 5 países que mais vendem armas não mundo (China, Estados Unidos, França, Inglaterra e Rússia- coloquei em ordem alfabética) são exatamente os 5 países que formam o Conselho de Segurança da Onu. Segurança de Quem? Não sei que lugar ocupa Israel nessa lista de vendedores.

    Em diversas partes do livro o autor faz menção ao filme O Senhor das Armas, de Andrew Niccol, por sentir-se semelhante ao protagonista, no aventuresco e na amoralidade. Tanto o livro quanto o filme padecem de um defeito congênito. Ambos são ficção baseada em dados reais. Não se pode deduzir que determinado fato seja verdadeiro, próximo do real ou apenas fantasia. Exemplo: no livro, o narrador revela que: "...Os vitrais da catedral de Doha (capital do Qatar), símbolo da tolerância religiosa do emirato, foram integralmente financiados pelos fabricantes de armas franceses." Até que ponto isto seria verdade? Teríamos então a imagem da fatalidade total: Deus e o Diabo de mãos dadas, trabalhando juntos para infernizar a vida dos habitantes do planeta.
    Quem tiver curiosidade para saber até onde vai a patologia, a delinquência e o poder de um vendedor de armas, consulte a Wikipedia, verbete Bazil Zaharoff: http://pt.wikipedia.org/wiki/Basil_Zaharoff.


Jorge Teles.

20091117

UTOPIAS PIRATAS, XIITAS FANÁTICOS IMAGINÁRIOS, PORNOGRAFIA TÂNTRICA


ALGUMAS IDÉIAS POÉTICO-TERRORISTAS QUE AINDA CONTINUAM EM TRISTE LANGUIDEZ NO REINO DA “ARTE CONCEITUAL”


1. Entre na área dos caixas eletrônicos do Citibank ou do Chembank numa hora de muito movimento, cague no chão & vá embora.

2. Chicago, Maio de 1886: organize uma procissão “religiosa” para os “mártires” do Haymarket – grandes faixas com retratos sentimentais coroados com flores & transbordando de fitas & lantejoulas, carregadas por penitentes vestidos em trajes com capuzes negros no estilo KKKatólico.

3. Cole em lugares públicos um cartaz xerocado com a foto de um lindo garoto de 12 anos, nu & se masturbando, com o título bem à vista: A FACE DE DEUS.

4. Envie elaboradas & requintadas “bênçãos” mágicas pelo correio, anonimamente, para as pessoas ou grupos que você admira, por sua capacidade política ou espiritual ou por seu sucesso no mundo do crime.

Dar voltas sem destino na velha picape, pescar & coletar alimentos, deitar na sombra lendo quadrinhos & comendo uvas – essa é a nossa Economia. A realidade das coisas quando libertas da Lei, cada molécula uma orquídea, cada átomo uma pérola para a consciência alerta – esse é o nosso culto. O Airstream tem tapetes persas em todas as suas paredes, a grama está cheia de ervas satisfeitas.
Detalhes completos podem ser obtidos na AAO

20091113

Convite - Intervenção Privadas

Vamos fazer a Intervenção da privada, explicação logo abaixo.
Montaremos amanhã, sábado 14 nov as 8 da manhã, e estamos convidando todos a fazer um piquenique na praça Mal. Cordeiro de Farias, lugar onde vai rolar a Intervenção, as 13 h.

Encontramos sete privadas nas caçambas de lixo em Santa Cecília, em três dias e 3 quarterões. Essas privadas vão ser as pétalas da flor.

O miolo vai ser um carretel de fio, com uma montagem de fotos das privadas nas caçambas de lixo, em cima.

Dentro das privadas vamos plantar hortaliças, ou seja, vamos fazer um horta dentro das privadas jogadas nas caçambas de lixo.

Objetivo é refletir sobre a reciclagem, que se fala muito e se faz muito pouco. E trabalhar com os símbolos: Será que você comeria uma hortaliça plantada no vaso sanitário, que você mesmo jogou no lixo?

Endereço:
Praça Mal. Cordeiro de Farias - Consolação, São Paulo - SP
Link do endereço da Intervenção

Meu telefone é (11) 6714.0400 , caso tenham alguma dúvida!

20091111

Elevado


choice
Originally uploaded by ANDRERATEL

Foto tirada por André Salerno com câmera reflex de película.

O Estrangeiro - Osgêmeos e Plasticiens Volants

Um dos personagens criado pelos gêmeos, vai deixar as paredes e "ganhar vida" em um corpo inflável com mais de 20 metros de altura. O bonecão estrela é um dos "atores" de "O Estrangeiro", espetáculo que o grupo francês Plasticiens Volants.

A apresentação começa em um painel, pintado em uma construção no Vale do Anhangabaú pelos gêmeos. Ao ficar pronto, o gigante ganha vida e sai andando em forma de boneco para contracenar com o resto da trupe. "O edifício que vai receber a imagem do boneco será demolido.

É a atividade que encerra o Ano França.Br.

Dias 12 e 13 de novembro, às 19:30.
Vale do Anhangabaú.

20091109

Banksy no Bristol Museum

A amostra Banksy vs Bristol Museum, foi inaugurada mês passado na cidade de Bristol, Inglaterra.
Banksy convida as pessoas a repensar os seus conceitos sobre arte através do estêncil. E como ele faz isso? Confrontando o caos, a transgressão e poluição visual das grandes cidades com o formalismo e a sobriedade dos museus.

Sociedade de consumo. Assim como muito artistas, ele utiliza o incômodo como fonte de inspiração, então no meio da década de noventa começaram a surgir nos muros de Bristol e Londres desenhos que quebravam a hipnose de preocupações tão comum em moradores das cidades grandes: Mickey Mouse e Ronald Mcdonald andavam de mão dadas com a famosa menina queimada por napalm; colegiais louvavam bolsas de supermercado, e por aí vai.

Os hábitos capitalistas e a temática non sense, de policias dançando ciranda, uma turma de crianças alegremente abraçada a mísseis, ratos vestindo a camiseta "I Love NYC" - um destes muros foi leiloado no E-Bay por mais de 400 mil libras.

Aos poucos seu trabalho começou a ser notado não apenas pela policia inglesa, mas pelo mainstream em 2003, com o convite do Blur para ilustrar a capa e o encarte do álbum Think That. A parte gráfica do álbum teve mais êxito do que a música em si. Em 2005, Banksy viajou por conta própria até à Cisjordânia, e realizou uma série de desenhos no recém erguido Muro da Segregação (que divide fisicamente a Palestina de Israel). Um dos desenhos é o de uma menina ganhando vôo graças a balões de gás. Ganhou as páginas de jornais do mundo inteiro.

Em 2009, no Bristol Museumo visitante depara com um policial da tropa de choque cavalgando em um pônei de brinquedo, atrás dele um enorme um enorme caminhão de sorvete pichado. As instalações - algo recente na sua carreira - são uma constante à medida que avança-se pelas salas, desorganizadas e provocativas, onde aparecem animais aprisionados que sonham com a liberdade - sobrou até para o simpático Piu Piu, que aparece triste e enrugado dentro da sua jaula. "Reinterpretações" foi o que Banksy fez com algumas das mais famosas expressões das artes visuais: David, de Michelangelo, com explosivos presos ao corpo; a deusa da justiça sem a sua tradicional venda, usando agora óculos assinado e no lugar da balança bolsas de compras; quadros pixados ou alterados pela publicidade.

Esta exposição propõem às pessoas repensarem a arte e, principalmente o local ande ela acontece: os museus. Pois trata-se de um espaço que em outros tempos tinha o objetivo de analisar a sociedade através de obras, e que agora muitas vezes não passa de um local de transações comercias, divididas em dois níveis: o primeiro é um circulo social fechado formado por curadores, críticos, colecionadores e artistas que realizam ali os suas transações. O segundo nível (ou sub-nível) é formado pelo grande público, que paga o valor da entrada para ver obras famosas de artistas famosos, para depois, na loja de souvenirs, ter a ótima oportunidade de adquirir o cinzeiro do Pablo Picasso, o porta lápis do Van Gogh, entre outros mimos.

Artista urbano que usa a internet para promover seu trabalho, sendo o Twitter um dos seus canais favoritos. Mas é impossível não relacionar Banksy com outro artista que reformulou os conceitos da sua época - Andy Warol -, mesmo que um gostasse muito de aparecer e o outro simplesmente não aparece; mesmo que ambos tenham surgido de escolas diferentes e usassem técnicas diferentes, eles se assemelham pelo simples fato que pouco usaram uma linguagem tão acessível às pessoas de sua geração, tendo o cotidiano como obra prima e as figuras do mundo capitalista como objeto de estudo.

Anonimato. Sem um rosto como alvo, fica difícil elaborar criticas dirigidas.


Banksy Versus Bristol Museum

13/jun - 31/ago. Gratuito.